O lobo-guará é um animal por quem tenho grande afeto. Desde criança, adoro-o. Já joguei um jogo antes com o bicho e, de lá para cá, adquiri calendários, uma estatueta (infelizmente manca no atual momento), adesivos, livro de colorir, camisetas e uma caneca do animal. Espero poder conhecê-lo “pessoalmente” um dia. Entretanto, neste texto, comentarei sobre o jogo criado pelo estúdio brasileiro Maqna Interactive.
Comprei Ukko & Guará: Stellarbound em uma promoção no Steam e paguei apenas R$ 1,49, mas eu teria pago até mais se soubesse o quão maravilhoso o jogo é. Inclusive, foi o que fiz! Foi com grande alegria que comecei a jogá-lo no início de 2023, todavia, por motivos que não convém explicar aqui, não o finalizei nesse ano. Três anos depois, vejo que há uma atualização, e, com ela, nasce uma impossibilidade de eu executar o jogo no meu PC. Preciso mesmo trocar de computador. Sorte que tenho meu lindo PS5, então aproveitei uma promoção na PlayStation Store e paguei R$13,74, um preço justo, contudo pagaria mais por uma mídia física.
Preciso fazer um parêntese aqui e registrar minha indignação com a tragédia anunciada pela Sony que é o fim dos discos e qualquer suporte físico para jogos no PlayStation a partir de 2028; foi até uma grata surpresa ver tantas pessoas revoltadas e tristes assim como eu por essa decisão mesquinha e baseada em dados duvidosos, como o de que apenas 20% das vendas de jogos da plataforma são de mídia física. Ainda que seja verdade, é identicamente fato que a liberdade de escolha do indivíduo deve prevalecer mesmo que a maioria seja contrária a ele. Compro mídia digital e apoio sua coexistência com a física, sou contra é a unicidade dela.
Voltando à criação brasileira que joguei: a jogabilidade é fartamente simples e contemplativa, só é preciso resolver quebra-cabeças para passar de nível. O que mais dificulta é o tempo limitado que o jogador tem para concluir os enigmas; quando o tempo acaba, o Ukko desmaia de quentura ou o Guará de frio. Algumas fases precisei consultar o YouTube para passar, mas, fora isso, não tive nenhuma atribulação. Os quebra-cabeças são assaz criativos, a trilha sonora não incomoda, os efeitos sonoros são reconfortantes, os gráficos são convidativos, e quase não percebi nenhuma falha ou erro nele; há alguns, mas não o suficiente para atrapalhar a jogatina. O maior problema desta obra é sua duração, pois é muito curta, não levei nem três horas para platiná-lo; ficaria contente se fosse mais extenso. Ou se ganhasse uma continuação.
Há um detalhe de que, fazendo o que se precisa em cada nível no menor número de jogadas possível, ganha-se três estrelas, porém não se obtém nenhum troféu nem nada que valha a pena, então é um recurso inútil, inspirado em jogos de celular, creio eu. Outra questão a se pontuar é que deveria haver um texto dentro do jogo sobre a possibilidade de se jogar com duas pessoas cooperativamente; só fui descobrir essa opção pesquisando para escrever este artigo de opinião.
A história é mais curta que o jogo: uma jornada poética sobre a união entre uma rena e um lobo-guará que, guiados por uma estrela, tornam-se amigos — mas não podem permanecer juntos por muito tempo, pois o clima de um é fatal para o outro. E tudo isso é contado com uma linda animação. A arte desta obra, tanto 2D como a 3D, é encantadora, extremamente fofa. E o áudio dela está em três idiomas: narração em inglês, o Ukko fala em finlandês e o Guará em português brasileiro. Findo minhas opiniões, elogiando os títulos dos troféus, em decorrência da engenhosidade, como “O bolo é uma mentira”, “O poder da Matemática”, “Quem descobriu o Brasil, por favor cubra de novo”, entre outros. Inclusive, a existência da maioria dessas conquistas prova que este jogo não pune o fracasso, mas o incentiva.
Para finalizar, recomendo o Amigo do Lobo do Instituto Pró-Carnívoros, uma iniciativa dedicada à conservação do lobo-guará e do Cerrado brasileiro, unindo pesquisa científica, educação ambiental e mobilização social. Foi por meio desse "amigo" que comprei alguns dos objetos citados no início.
P.S.: Lendo as análises do Steam, descobri que a rena e o lobinho deixam pegadas no chão ao andar; já tinha percebido a respeito do Ukko, mas não do Guará.
P.P.S.: Pouco antes de concluir a platina, percebi que os círculos em que os personagens vão para encerrar cada fase poderiam ser constelações. Perguntei ao Gemini, Inteligência Artificial do Google, e ele confirmou minha suspeita: a da rena é a Ursa Maior, mais especificamente o asterismo conhecido como "Grande Caçarola", e a do Guará é a Cruzeiro do Sul (Crux). Aliás, estou gostando bastante dessa IA, achei-a melhor que o ChatGPT.
