Neste texto, comentarei os filmes que mais gostei de ver entre janeiro e março deste ano, preferencialmente no cinema. Para não me repetir, deixo já registrado que amei todos e que julguei todos maravilhosos, incluindo direção, roteiro, atuação, personagens, dublagem brasileira e animação. Farei ressalvas sobre as exceções.
Aviso: este texto contém revelações sobre o enredo.
O primeiro filme que amei conferir do ano foi Família de Aluguel. O protagonista é um ator estadunidense que já mora no Japão há algum tempo e acaba aceitando um trabalho de uma agência que engana pessoas. Não é um trabalho que eu gostaria de realizar, mas a história é emocionante e me cativou. Principalmente porque o herói do longa-metragem, interpretado por Brendan Fraser, é muito carismático e faz as pessoas ao seu redor melhorarem de atitude. Não só isso, como a obra critica a marginalização da saúde mental na sociedade japonesa. Apesar disso, a cada recorte novo do Japão que conheço, meu fascínio pelo país aumenta! Para finalizar, destaco duas citações do filme que me marcaram: “Todo escritor é ladrão.” e “Tem razão, sou um gaijin, não entendo, mas quero entender.”
Justiça Artificial é o menos bom desta lista, não o desmerecendo, mas os demais me encantaram mais. O protagonista é interpretado pelo Chris Patt, um bom ator, dublado pelo ainda melhor Raphael Rossatto; ainda assim, a atuação do Chris não me agradou muito neste filme, achei muito exagerada, quase caricatural. Fora isso, a história começa com a clichê Inteligência Artificial que supostamente é má, felizmente, no final, é revelado que ela só errou por causa de um erro humano da policial parceira do personagem do ator central. Ou seja, o clichê não se concretizou, o que foi um alívio para mim, já que não aguento mais essas histórias de “as máquinas vão dominar o mundo”.
O Menino e o Panda é um ótimo filme, apesar do roteiro pouco inspirado. O panda Lua é perfeito, a Lia também é uma ótima personagem. Também apareceu um panda-vermelho belíssimo. Há boas referências a animações famosas, como Kung Fu Panda, Toy Story e Hora de Aventura. Queria ter visto a luta entre o Lua e a onça pintada preto e branco. A evolução do personagem do pai é boa. Há uma linda mensagem sobre a preservação dos pandas.
Você Só Precisa Matar é o melhor filme que vi no cinema neste ano até o momento. Encantou-me de tal maneira que nem me incomodou o clichê da invasão alienígena por monstros que nem conseguem se comunicar com os humanos! A arte, em especial, foi bem diferente do que estou acostumado a conferir nas animações japonesas, o que me agradou imensamente. Eu amo ficção científica e o conceito do “ciclo temporal” quando bem aplicado, e esta obra foi o exemplo perfeito disso. Ainda há uma bela mensagem de superação que passou despercebida por mim, mas fico feliz em tomar conhecimento.
Roboco & Eu: O Filme é a única obra cinematográfica desta lista que eu não vi no cinema, mas queria muito ter visto. É um longa-metragem de uma série animada de 3 minutos cada episódio, fato que é mencionado por um personagem do filme. A franquia é notória por satirizar gêneros do entretenimento japonês e neste longa não foi diferente: é uma comédia para se rir muito com o humor “nonsense” e inteligente. Espero que tenha uma continuação.
Arco foi a primeira animação francesa que vi neste ano; infelizmente, num horário não muito propício. A distribuição nos cinemas também podia ser melhor, mas o que esperar da Netflix? Além disso, a exibição no cinema em que fui demorou para começar! Não obstante, o longa agradou-me muito, pois é uma história sobre um menino do futuro que vai ao passado dele, que ainda é o nosso futuro, por mexer no que não devia e, com isso, não consegue voltar para sua família. Meu personagem favorito do filme é o robô Mikki, pois se sacrifica para salvar os protagonistas. Achei engraçado que o nome do garoto é Arco e o da menina, Íris. O arco-íris é um símbolo recorrente na obra que também é o que faz a criança viajar no tempo. O final é agridoce: a família de Arco finalmente o encontra, mas todos bem envelhecidos, pois ficaram décadas à procura dele. Uma boa lição para quem desobedece os pais. Igualmente adorei a versão brasileira, só achei que a Bianca Alencar não combinou como dubladora da Íris.
A Pequena Amélie foi a segunda animação francesa do ano e, do mesmo modo que Arco, é alvo de minha grande estima. Minha maior reclamação em relação a este filme é o título brasileiro, já que o original significa “Amélie e a metafísica dos tubos”, uma designação mais coerente com o teor desta obra, que tem a perspectiva de uma criança, mas trata de temas adultos. Apesar de ser uma produção francesa, o cenário é o Japão da década de 1960 e a linhagem da protagonista é belga. Fiquei feliz em poder reconhecer o kanji de “chuva” das minhas aulas de japonês, mas também triste por esquecer de algumas palavras japonesas que não foram traduzidas. Em suma, foi uma experiência extremamente positiva.
Ditto: Conexões do Amor é o primeiro filme coreano que vi em 2026. Via de regra, amo romances asiáticos, e este não foi exceção. Amo sobretudo quando o casal protagonista não termina junto, que foi o caso deste. É uma obra que, do começo ao meio, é uma comédia e, do meio ao fim, é um drama. Teve uma reviravolta inteligente e que eu pensei ser inédita, até descobrir que este longa é uma refilmagem de um filme do ano 2000. Outra surpresa foi saber que é um filme de 2022! Por que demorou tanto para chegar ao Brasil?







