Depois de sete anos, finalmente a trilogia solo do Tom Holland como Homem-Aranha foi concluída! Um Novo Dia não é o melhor filme do Cabeça de Teia que eu já vi, mas é uma miríade de vezes melhores que Sem Volta Para Casa, que não dá para considerar como um longa-metragem solo do Tom. Cinco anos se passaram desde que escrevi O Melhor Homem-Aranha e muita coisa mudou, não só em mim como no próprio Universo Cinematográfico Marvel, e não posso dizer que a mudança deste foi para melhor. Não obstante, houve o Quarteto Fantástico que eu adorei e comentei em Os Melhores Filmes de Maio a Julho de 2025. Eu estava com um misto de empolgação e preocupação quanto a Um Novo Dia: encontrava-me ansioso para ver o Tom Holland como Homem-Aranha novamente na telona, contudo temia que o Tobey Maguire desse as caras e estragasse mais uma película do Teioso; felizmente, perturbei-me à toa: este ator não consta no filme que comentarei logo abaixo!
Gostei tanto de Um Novo Dia que fui ao cinema em duas ocasiões distintas para apreciá-lo, assim como fui com Capitão América: Guerra Civil; parcialmente porque precisei me ausentar por alguns minutos para ir ao banheiro na minha primeira sessão, contudo não perdi nada importante nessa minha ida, como comprovei na minha segunda exibição. Adorei mesmo, é um ótimo longa, mas não chega a ser maravilhoso, por isso dou Quatro Estrelas para ele, segundo minha classificação que registrei em Simples Comentários – Introdução. Para efeito de comparação, revi Homem-Aranha: De Volta ao Lar há poucos dias e dei Cinco Estrelas para ele. Longe de Casa, pela minha memória, é a melhor obra do UCM que já tive o prazer de conferir, mas ainda me resta revê-lo em breve por meio do Blu-ray que comprei recentemente e que consta na foto ao final deste texto. Eu já tinha o DVD há anos, mas agora estou colecionando esses discos azuis em alta definição, embora eu não me considere um colecionador, nem com rótulo algum. Recomendo a leitura de Embalagens Humanas.
Ainda não tinha escrito isto, porém fiquei com preguiça de repetir o modelo descrito na Introdução por mais tempo que o adotado, em razão disso é que tenho escrito simples comentários compilados em “Os Melhores Filmes de tal a tal mês de tal ano”, e até esse modelo tem me cansado, mas pretendo voltar com ele ainda em 2026, além do mais estou devendo os comentários dos filmes de 2025.
Aviso: este texto contém revelações sobre o enredo.
Homem-Aranha: Um Novo Dia é uma ficção científica deliciosa, passa longe de ser uma obra-prima, ainda assim não se alça à categoria de desastre e fracasso emocional completo que foi Devoradores de Estrelas, facilmente o pior filme que vi no cinema em 2026. Mas o foco deste texto é O Primeiro de Uma Nova Era dos filmes do Tom Holland; aproveito a deixa e comentarei logo o que me desagradou neste longa, a começar pelo Hulk: o Bruce Banner começa maravilhoso, dando aula e confabulando com Peter Parker, ou “Ned”, sobre a inibição dos poderes advindos de mutação genética, mas se perde depois de virar o gigante esmeralda; em Vingadores: Ultimato o personagem foi muito melhor trabalhado. Identicamente, achei desnecessário o escritório da nova Viúva Negra, a irmã da anterior, ser uma piscina particular; foi um desprazer ver o Tom Holland seminu. Similarmente, desgostei de não haver menção explícita do meio de subsistência do Peter, então perguntei ao Gemini, Inteligência Artificial do Google, como o personagem ganhava dinheiro e ele respondeu que por meios reparos eletrônicos e trabalhos de programação, bicos em empregos locais como o de funcionário de mercearia e a herança da tia May; são explicações satisfatórias que poderia ter ao menos sido inseridas em um diálogo ou dois. Da mesma maneira, aborreceu-me as músicas cantadas; a trilha sonora em geral não é ruim, todavia não é nada marcante.
Equitativamente, desgostei da falta de tradução de alguns textos em inglês exibidos na película; a propaganda de carro “o primeiro de uma nova era” é um bom exemplo, gostei tanto do simbolismo dela que intitulei este texto com ela. Dos personagens, o que mais me irritou foi o Frank Castle, o vilão denominado Justiceiro, que atua como o estulto contumaz que geralmente há em filmes como alívio cômico; ele age como parceiro do Homem-Aranha, chama-o de frouxo, diz que vai matá-lo e quase o faz, para, no final, dizer que é seu amigo; admito que o ator desempenhou bem o papel, entretanto o roteiro beneficiar-se-ia sem ele. Mas se Jon Bernthal encarnou bem seu personagem, não posso dizer o mesmo de Zendaya: embora esbanje carisma e magnetismo na tela, a atriz ainda enfrenta dificuldades para entregar uma atuação convincente, deixando a desejar em termos de profundidade e versatilidade interpretativa. MJ é tão bem escrita que nem percebi esse detalhe nos dois primeiros filmes dela. Outro desagrado é a personagem ser chamada unicamente por suas duas primeiras letras do seu nome em inglês, mesmo na dublagem brasileira. Tenho certeza que é para fazer o público pensar ser a Mary Jane, quando a personagem de Zendaya é a Michelle Jones. Para finalizar os defeitos de Um Novo Dia, destaco a troca de etnia de William Metzger, as teias orgânicas (que nojo!) e o Teioso não ter virado uma Aranha Humana como na série animada da década de 1990. A cena pós-créditos é desnecessária, só mostra o rastreador aranha indicando que o herói está fora da Terra. Queria acrescentar o som ruim no Cineflix, mas o filme não tem culpa por causa desse cinema do Shopping Bela Vista.
![]() |
| Ingresso.com |
Basta de ruindade! Das qualidades do filme, enceto com a cena da tia May aconselhando o Peter sobre as tribulações de ser uma pessoa especial; desde o final de Homem-Aranha: De Volta ao Lar que anseio em ver este momento! Lembrou-me Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis em relação a outro personagem que fez falta em Homem de Ferro 3 (o melhor da trilogia), também do Destin Cretton, o mesmo diretor. Do mesmo modo, a Jean Grey, interpretada pela maravilhosa Sadie Sink, foi uma grata surpresa: eu já sabia que ela estaria no filme, sem embargo não esperava gostar tanto dela! A telepata atuou como vilã, quando era uma mocinha, o exato oposto do Frank. O próximo filme dos X-Men promete ser ótimo se os demais mutantes seguirem a mesma qualidade narrativa. Como escrevi acima, Bruce é egrégio no princípio, principalmente quando indaga sobre quais partes da natureza são boas e ruins, e o problema de inibir algo que precise ser expresso. Assim como foi com De Volta ao Lar e Longe de Casa, mais uma vez me identifiquei com o Peter Parker, desta vez na sensação de ter um monstro dentro de si tentando sair ou, pelo menos, tentando assumir o controle. Identicamente, fui cativado pela metáfora dos experimentos em animais e na falta de ética de determinados cientistas representada pelo Controle de Danos; isso já havia sido abordado anteriormente em Guardiões da Galáxia 3, contudo sem o mesmo impacto. Ademais, afeiçoei-me com a inspiração de alguns aspectos do jogo Spider-Man de 2018 para PS4; joguei-o por pouco mais de três horas até o dado momento, não o suficiente para comentá-lo agora, mas já informo meu descontentamento com a falta de tradução para os nomes dos heróis e vilões.
Outros detalhes que muito me agradaram: a sobrecarga de sentidos parecida com a de Homem de Aço (ambas semelhantes ao que um autista passa por causa de sua hipersensibilidade), Eve, a IA criada pelo Peter, e o aperto de mãos especial entre o Teioso e o Ned, que diz "Peter!", lembrando-se de que esse é o nome do Homem-Aranha.
Fiquei demasiado feliz em saber que Tom Holland não pretende deixar de interpretar o Cabeça de Teia, como havia afirmado em 2021. Nas palavras do ator, “Acho que essa é provavelmente a declaração de um jovem ingênuo que, na época, achava que fazer 30 anos parecia uma eternidade”.
Holland ainda explicou o que quis dizer na época e a importância do legado do Amigão da Vizinhança:
“Nunca subestimei esse personagem, e acho que grande parte dessa declaração se deve ao fato de que tenho uma verdadeira ânsia e desejo de orientar quem quer que tenha a sorte de interpretar essa personagem a seguir nesse processo. [Robert] Downey Jr. fez isso por mim, tanto no set quanto fora dele. Não quero me apegar a esse personagem e abusar da sua hospitalidade”. Fonte: Ingresso.com
![]() |
| Meus discos Blu-ray do Tom Holland no UCM. |
![]() |
| As contracapas. Sim, falta Vingadores: Ultimato. |


